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"Para que viver? Tudo � v�o! Viver... � trilhar palha; viver... � queimar-se sem chegar a se aquecer" - F. Nietzsche, Assim Falou Zaratrusta .
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02/02/2004 22:28
As aventuras de Minduím
Como todos sabem, sexta-feira foi aniversário do Rafa e estávamos programando uma festinha digna de ser lembrada na terceira idade.
Mas o destino, este senhor incompreensível, fez com que Rafinha ficasse dodói e tivemos que desmarcar o come e bebe (ou bebe e come?). Como Rafinha estava usando um termômetro retal que mais parecia o dedo do ET, nem sair de casa ele pôde.
Se desgraça pouca é bobagem, a chuva torrencial que caiu dos céus de Sampa acabou com qualquer plano de Rafa.
Mas nem tudo estava perdido.
Minduím, o destemido, tinha sido convidado para passar um agradável final de semana num sítio localizado em alguma cidade no interior de São Paulo. Segundo informações, este sítio estaria ocupado por mulheres. Muitas mulheres.
Já que ele não poderia conhecer melhor a balzaca que anda dando mole, resolveu arriscar o sítio mesmo.
Mas nem tudo é fácil na vida de Minduím, o sofrido. Ele teria que enfrentar horas de viagem dentro de um trem maltratado até chegar ao seu destino. Pior: ele só poderia ir sábado à noite, pois era o horário que um amigo seu (que sabia o caminho) poderia acompanhá-lo.
Após horas de viagem ao lado de uma tiazinha que lembrava muito o Pedro de Lara, Minduím, o impaciente, e seu amigo chegaram à cidade.
Chegando no sítio, Minduím, o espantado, teve a ligeira impressão de estar adentrando na cidade bíblica de Sodoma (ou Gomorra, tanto faz).
Mulheres dançando sensualmente em volta da piscina, casais se agarrando em qualquer canto, cachorros felizes copulando. É verdade que a trilha sonora era muito pobre para os ouvidos de Minduím, o erudito, mas algumas latas de cerveja tornam qualquer pessoa mais tolerante.
Sendo recebido com beijos no pescoço e abraços lascivos das mulheres (que ele nem conhecia), Minduím, o visionário, pensou: me dei bem.
É verdade também que nem todas mulheres era tão voluptuosas quanto Minduím, o criterioso, gostaria que fossem, mas mesmo assim ele estava satisfeito.
Na noite de sábado Minduím, o estrategista, escolheu as vítimas em potencial, dando atenção especial a critérios essenciais, como por exemplo: tamanho da bunda e tamanho do namorado.
Algum tempo depois e muitas cervejas a mais, nosso herói notou que os casais sumiram misteriosamente e só as mulheres menos afortunadas esteticamente estavam acordadas, fato que o levou a mudar os planos. Minduím, o maquiavélico, iria agir no domingo.
Acordando cedo para não perder tempo, Minduím, o metido, fitou as possíveis candidatas, calculou o tempo que levaria para concluir os três estágios de seu Manual de Conduta (Xavecar, Agir e Dispensar) e chegou à conclusão de que três simpáticas garotas seriam suficientes para tornar seu final de semana feliz.
Foi quando Minduím, o esperto, chegou no que seria sua primeira vítima.
Morena, alta, e com um corpo de dançarina de baile funk, ela sorriu às investidas de Minduím, o galã, e ele sabia que logo estariam se pegando no quarto.
Mas existe um detalhe: Minduím, o sistemático, não poderia ser visto pelas outras duas vítimas em potencial, o que tornou sua cruzada ainda mais difícil.
Como o quarto estava ocupado, nosso herói teve que manter a agradável conversa com sua interlocutora.
No começo foi fácil, mas alguns minutos depois Minduím, o mártir, jurava que estava diante da professora do Charlie Brown, e quase respondeu: Não professora, meu cachorro não vai mais comeu meu dever de casa.
Quarto desocupado, Minduím, o direto, mandou na lata: Vamos para o quarto? sem dizer uma palavra e sorrindo, a pobre vítima caminhou em direção ao ninho da luxúria.
Enquanto caminhavam e ela falava algo que ele não se lembra por não estar prestando atenção, Minduím, o persuasivo, tentava se lembrar onde estavam as camisinhas, além de estar planejando a desculpa que ele usaria para não ficar abraçadinho com a formosa morena após suas travessuras sexuais.
Ele estava preparado para tudo.
Melhor dizendo, para QUASE tudo.
Quando está entrando no quarto, Minduím, o espantado, e sua acompanhante dão de cara com um robusto cidadão que fez uma cara mais espantada que a de nosso destemido herói.
- O que vocês estão fazendo aqui? disse o leitão.
- Nada diz a moça ele veio me mostrar uma coisa, mas já estamos indo.
Estamos indo???
Como assim? Rapidez não é uma das virtudes de Minduím, o acrobata, que planejava ficar algum tempo naquele quarto.
De repente, ela se vira e vai embora.
Minduím, o incrédulo, vai atrás da moça que, aos prantos, diz que avisou sobre seu namorado e aquele era o primo de seu amado.
Namorado?
Minduím, o ouvinte, deve ter deixado isso passar despercebido quando ficou pensando no jogo do Timão enquanto a moça falava e ele balançava a cabeça.
Minduím, o insistente, não é homem de deixar as oportunidades passarem, mas o primo do tal namorado veio atrás deles e estava com cara de poucos amigos. Como isso não era de Minduím, o Leão da Montanha, ele resolver armar uma saída pela esquerda e deixou os dois conversando mais tranqüilamente.
Mas nem tudo estava perdido, parte II.
Minduím, o prevenido, ainda tinha duas cartas na manga.
A primeira, e mais desejada, era prima de um amigo.
Novinha, é verdade, mas isso não é problema para Minduím, o empreendedor.
Ao vê-la tomando sol na piscina, Minduím, o gato, armou-se com sua sunga mais supimpa, sorriu e sentou ao seu lado.
É recebido com frieza e uma pergunta capciosa: E aí, cadê a sua namoradinha?.
Novamente espantado, ele nega veementemente até o fim, mas a Lolita havia visto Minduím, o já nem tão esperto assim, entrar na casa com um sorriso no rosto e a morena a tira-colo.
Antes que pudesse afundar em vergonha e raiva, Minduím, o samurai, ainda tinha uma batalha: a terceira carta, a loirinha que ele julgava a mais fácil, por isso nem se importou em deixá-la por último.
Quando foi procurar a única coisa que salvaria o seu fim de semana, Minduím, o atrasado, contempla sua pretendida agarrada com Botinha.
Sim, Botinha, o esquecido. Ele havia sido subjugado por Minduím, o
superior, e estava quase copulando com a loirinha fácil.
Minduím, o derrotado.
Minduím, o babaca.
Ele não podia acreditar em que seus olhos tristes lhe mostravam.
Tentando conter a vontade de gritar a plenos pulmões, Minduím, o avarento, foi surpreendido com a presença de uma simpática (mas muito feia) garota que flertava com nosso derrotado amigo desde que havia chegado.
Sem mais o que fazer, Minduím, o imbecil, a levou para bem longe, onde ninguém pudesse vê-los e mostrou porque um dia foi chamado de Anaconda.
Moral da história?
"Antes mal acompanhado do que punheteiro.
É só negar tudo e não contar para os amigos."
enviada por Millie Vanillie
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