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"Para que viver? Tudo � v�o! Viver... � trilhar palha; viver... � queimar-se sem chegar a se aquecer" - F. Nietzsche, Assim Falou Zaratrusta .
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15/02/2004 10:08
Beatriz
(para o Rafa, com carinho)
Eu precisava de algo sensual sem ser agressivo, sentimental sem ser piegas, hipnotizante e direto: Embrya, do Maxwell era o disco que eu precisava.
Enquanto isso, ela estava sentada na minha frente, sorrindo. Olhava com atenção para os meus gestos como se não quisesse perder um único segundo daquela noite.
Entreguei a ela uma taça de vinho, o ambiente sugestivo e os tons baixos de nossas vozes denunciavam a nossa única intenção.
Estávamos saindo havia um mês e ela resistia à idéia de ficarmos completamente a sós.
Devemos nos valorizar, ela dizia.
Desde que fomos apresentados por um amigo em comum, sentimos uma ligação imediata, ela já parecia ser a mulher que colocaria um ponto final na minha vida errante, cheia de mulheres frívolas que se interessavam por tudo, menos no que eu era de verdade.
Sumamente culta e inteligente, gostava de Salvador Dali, Goethe, Gershwin, Seal, Nietzche, Blake, João Cabral, Luiz Fernando Veríssimo, Miles Davis, Davina. E era linda.
Estava diante de mim e nos beijávamos.
Ela mordia os meus lábios enquanto tirava a minha camisa. Despia-se e fazia o mundo inteiro desaparecer.
Mergulhava em sua pele e sentia seu coração batendo forte.
Famintos, tomamo-nos com força. A força dos desesperados por uma vida inteira sem solidão.
Ela dizia que eu era especial e que desejava isso desde o primeiro dia.
Sua calcinha deslizava suavemente pelas suas coxas e em um segundo ela estava nua, mais linda do que nunca.
Mas ela interrompe.
- O que nós dois temos?
- Eu não sei. digo confuso Algo especial, que eu não senti antes.
- Sabe, eu não quero que você ache que eu sou uma mulher qualquer.
Como? Ela acha que o Revolver é o melhor disco de todos os tempos, ela não é uma qualquer. Ela é linda e inteligente, a única que eu respeitei de verdade em anos.
- Você não é uma qualquer, eu acho você incrível disse, sem disfarçar o espanto.
- Eu só tive um namorado por anos, não estaria me entregando para você se achasse que você só está interessado nisso.
- Mas eu não estou só interessado nisso começo a ficar confuso.
- Então, está interessado em que?
- Em tudo o que você representa.
Peraí. Ela nunca havia perguntado essas coisas, por que agora? Não é meio tarde para isso?
- Você já saiu com amigas minhas, eu sei o que você fez com elas.... Não quero isso para mim.
Entendi. Meu passado me condena. Eu não faço idéia de quais amigas ela se refere, mas não é bom perguntar.
- Você é diferente. Eu sinto como se nos conhecêssemos desde sempre.
- Eu tenho medo que você suma da minha vida depois de hoje. Não quero isso, até porque não temos nada e...
- Claro que temos interrompo eu acredito que estamos consolidando uma coisa sólida, paudurescente.
Porra, o que foi que eu fiz? Assumi um namoro?
- Que bom que você acha isso... seu sorriso compensou o sacrifício.
Enquanto falamos, eu balanço levemente o corpo, me movendo sugestivamente entre suas pernas, sentido-a se excitar e perder a fala.
Eu a violo como nunca havia feito antes com ninguém, prestando atenção na sua respiração, a mordida que ela dava em seus lábios, seus gemidos abafados pela música, seu calor que aumentava a cada segundo.
Pela segunda vez na noite, ela me interrompe:
- Bate na minha cara, me chama de puta.
- Quê???- eu devo ter entendido errado.
- Bate com força na minha cara, me chama de puta, de cadela.
Afasto-me dela como se não acreditasse em mais nada no mundo, como se tivesse descoberto a verdade por trás de Matrix.
- Vai embora, eu tenho um compromisso, depois eu te ligo.
Ela se veste sem entender absolutamente nada. Fala mais algumas coisas das quais eu não prestei a mínima atenção e vai embora, provavelmente achando que eu sou louco.
Eu precisava de algo que me lembrasse que ainda existem pessoas autenticas no mundo.
Welcome to Cruel World, do Ben Harper. Título mais perfeito para aquele momento não existia.
Devemos nos valorizar, ela dizia.
Eu vou ligar para a irmã de um amigo meu, a que eu andava saindo antes e só queria saber de sexo. Pelo menos ela é sincera.
enviada por Millie Vanillie
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